TEMPO PRA MEDITAR
Esse, eu não tenho mais...
Ah, que saudade eu tenho do meu tempo de solteira...! Meu cantinho calminho, silencioso, onde eu tinha a liberdade e a PRIVACIDADE pra fazer meus rituais. Tudo era paz e harmonia.
Hoje, 2 filhos, um gato preto e um cachorro com carinha de quero colo, mas com ímpetos de Conan-O Destruidor (sim, ele é um bárbaro!), é realmente impossível fazer qualquer ritual, acender qualquer vela e manter meu altar sagrado (quem dirá consagrado!).
Pra início de conversa, meu gato bebe a água do cálice. Tenho de enchê-lo todas as manhãs. E tardes, e noites... sempre que eu o encho, Zeus (o gato!) vai lá e bebe! “É água fresca, mamãe”, diz aqueles olhinhos brilhantes para mim. Vou brigar? Imagina! As ondinas vão entender! E quando não troco a água, o fofinho da mamãe fica lá... sentadinho esperando eu trocar a água. Ah! Ele quebrou o cálice. Foi durante um fuga do Conan. Na verdade, meu cãozinho é um Lhasa Apso - o cão sagrado do Tibet - e se chama Shubby. Mas nada em suas atitudes lembra um monge tibetano.
Perseguições aqui em casa acontecem todos os dias. É gato com cachorro, criança (minha filha de 8 anos) com gato, o Conam no meio, e o meu filho de 15 tocando contrabaixo. Pra minha paz e felicidade ele gosta de música metálica. É uma delícia! Principalmente em dia de rituais e meditações.
Lembro de uma tentativa em fazer um ritual lunar. Lá estava eu no meu quarto com velas, incensos, música celta, e a minha filha grita: “Mamãe, o Zeus fez cocô no sofá!”. Amigos, eu fiz um esforço incrível, e continuei lá no OOOOOOOOOOOOOOMMMMMMMMMM, porque meditação é coisa séria! E minha filhota linda completou: “E o Shubby tá comendo!”
De uma outra vez, eu tive a bendita idéia de forrar o altar, porque estava usando folhas e flores e tal. Pra ficar bonito. Trancada no quarto, claro! E cadê o fósforo? Amigos, numa saidinha rápida pra ir à cozinha buscar os fósforos, Conam invadiu barbaramente o meu canto sagrado e achou linda aquela pontinha de véu. Ao voltar da cozinha, incenso, vela, água, flores e folhas eram uma coisa só. E no meio da sala. Com ele em cima ferozmente traçando um ex-botão de rosa. Feliz e precisando de um banho. Eu ri! Juro, amigos, eu ri! Porque o Zeus, no alto da estante olhava pra mim com aquela carinha de culpado do Garfield, sabem? Pois é... aquela carinha de “Mamãe, não fui eu!”
Já me virei do avesso tentando encontrar um lugar seguro para acender uma velinha que seja. Mas o Zeus derruba todas.Tenho de manter meus incensários limpos, pois quando o Shubby-Conan corre atrás do Zeus, impressionantemente, o gatinho fofo da mamãe vai se refugiar onde? No altar! E derruba toda aquela cinza e o incensário pelo meu chão branquinho do quarto. Pra melhorar, o cãozinho-sagrado-do-Tibet mastiga ferozmente o incensário. É o quinto em 3 meses. Aliás, eu precisaria de dias pra escrever sobre tudo que o meu Conan do Tibet destrói. A última foi minha caixinha chinesa que guardava minhas bolas imantadas para relaxamento. Ela era de maneira. Agora é serragem.
Com licença, amigos, mas vou tirar um tempinho pra meditar. Uns 5 minutinhos se der. Até agora o meu cãozinho digitou centenas de letrinhas aqui nesse texto. É que ele queria água. E no meu senta e levanta pra tirar coisas da boca dele, o Zeus vinha e deitava na cadeira. Ele adora um quentinho. Ao tirar o Zeus da cadeira, o Dalai Lama do avesso barbaramente corre atrás dele e investe os caninos nas orelhas felinas e macias. É miaaaaaaaaaauuu, grrrrrrrrrrr, caim... Música pra meus ouvidos. OOOOOOOOOOOOMMMMMMMMMMMMMMMM...