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Neste poema, assim como em vários outros textos de Drummond, fica patente sua "filiação" a Machado de Assis.
O diálogo jocoso de Yayá Lindinha foi retirado de um delicioso conto do autor de Dom Casmurro também chamado "Eterno!". Para ler esse conto, clique no link abaixo: "Eterno!", de Machado de Assis
O bruxo de Itabira é filho ideológico do bruxo do Cosme Velho.
• A outra citação em itálico (Le silence éternel de ces espaces infinis m'effraie — algo como "O silêncio eterno desses espaços infinitos me apavora") é uma frase famosa do pensador francês Blaise Pascal (1623-1662).
• O público brasileiro parece confirmar e admirar o parentesco ideológico entre Machado de Assis e Drummond.
Durante o ano de 1999, a revista IstoÉ promoveu uma eleição dos grandes brasileiros do século 20 em diversas áreas. A revista indicava 30 jurados que, por sua vez, indicavam 30 nomes, dos quais o público elegia 20. Na categoria Literatura, Machado de Assis ficou em primeiro lugar. O segundo coube a Drummond. Votos impecáveis.
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E como ficou chato ser moderno. Agora serei eterno.
Eterno! Eterno! O Padre Eterno, a vida eterna, o fogo eterno.
(Le silence éternel de ces espaces infinis m'effraie.)
— O que é eterno, Yayá Lindinha? — Ingrato! é o amor que te tenho.
Eternalidade eternite eternaltivamente eternuávamos eternissíssimo A cada instante se criam novas categorias do eterno.
Eterna é a flor que se fana se soube florir é o menino recém-nascido antes que lhe dêem nome e lhe comuniquem o sentimento do efêmero é o gesto de enlaçar e beijar na visita do amor às almas eterno é tudo aquilo que vive uma fração de segundo mas com tamanha intensidade que se petrifica e nenhuma [força o resgata é minha mãe em mim que a estou pensando de tanto que a perdi de não pensá-la é o que se pensa em nós se estamos loucos é tudo que passou, porque passou é tudo que não passa, pois não houve eternas as palavras, eternos os pensamentos; e [passageiras as obras. Eterno, mas até quando? é esse marulho em nós de um [mar profundo. Naufragamos sem praia; e na solidão dos botos [afundamos. É tentação a vertigem; e também a pirueta dos ébrios. Eternos! Eternos, miseravelmente. O relógio no pulso é nosso confidente.
Mas eu não quero ser senão eterno. Que os séculos apodreçam e não reste mais do que uma [essência ou nem isso. E que eu desapareça mas fique este chão varrido onde [pousou uma sombra e que não fique o chão nem fique a sombra mas que a precisão urgente de ser eterno bóie como uma [esponja no caos e entre oceanos de nada gere um ritmo.
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